sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Jornaleiro natalense conquista o Brasil com palestras

Nascido numa família humilde, Jussier Ramalho encarou dificuldades e hoje é sucesso nacional

Por: Silvia Correia
 Jussier Ramalho em sua famosa Banca Prática. 
(Foto: Silvia Correia/Fotec)
“Sempre fui contra o grande jargão: ‘o homem é produto do meio’. Nascer pobre e feio é conseqüência do destino. Agora, morrer assim é incompetência e preguiça.” Foi com esse pensamento que o empreendedor Jussier Ramalho, 50 anos, deu a volta por cima e conseguiu se tornar um dos 12 “cases” de sucesso do Brasil pela revista Carreira & Negócios. Ao lado de nomes como os dos presidentes da Fiat, do Banco Real, do Magazine Luiza, da Fundação Anhanguera, do Chillie Beans e do apresentador Marcelo Tas, ele conta que não é que tenha o dinheiro que eles têm, mas que conseguiu fazer com que seu nome fosse reconhecido tanto quanto o deles.
Criador do conceito inovador de que “o cliente é a razão maior de qualquer empresa”, o jornaleiro tornou-se famoso por todo o Brasil com o sucesso de sua Banca Prática, localizada na avenida Afonso Pena, em Natal – Rio Grande do Norte. Atualmente, além das atividades de empreendedorismo, vive de dar palestras por todo o país compartilhando suas vivências como empreendedor, distribuindo sua aprendizagem sobre marketing e espalhando sua motivação para muitos universitários e executivos. Jussier é um dos 30 principais palestrantes nacionais e recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Escola da Vida, num evento promovido pela Academia Paulistana de Letras, Fundação Anhanguera, Instituto de Empreendedores e Microlins. Em 2008, lançou o Best-Seller “Você é a sua melhor marca”, da editora Campus.
História
De família modesta, morando em casa alugada e abandonado pelo pai, o pequeno, magrelo, porém determinado Jussier teve que trabalhar muito cedo para ajudar a mãe e as duas irmãs menores. Aos 14 anos, conseguiu o primeiro emprego de ajudante de vendas em Lagoa Seca, zona Leste de Natal. Foi com esse trabalho que começou a modificar a sua percepção em abordagem de clientes. Aos 17 anos, resolveu ingressar na Marinha do Brasil, no Rio de Janeiro, onde passou quatro anos. Contudo, a sua grande paixão sempre foi o comércio e ao deixar a “farda”, foi ser vendedor de “quase tudo”. Vendeu consórcio de caixão de defunto, box para banheiro; trabalhou em uma empresa de tíquete de alimentação. Arriscou-se também como professor de lambada e foi então que conheceu Ana Ester que hoje - além de mulher e mãe de Marina, 12 anos, filha única do casal - é a sua principal aliada na vida.
“Ideias inovadoras nunca me faltaram. Desde cedo fui uma pessoa visionária para a época. Por causa disso, muitos gerentes/diretores das lojas em que trabalhava ou não assimilavam minhas ideias, achando que eram muito surreais, ou tinham medo que elas realmente funcionassem e tivessem partido de mim, um simples funcionário”, conta Jussier que, por jamais se acomodar com sua situação, decidiu dar um basta e concretizar o sonho do próprio negócio.

Jornaleiro e palestrante
A compra da Banca Prática em 1995 - acrescida de muito trabalho de Jussier e de sua mulher - fez com que a vida dele e de sua família fosse mudando gradativamente. “Visão diferenciada, nenhum comodismo, interação com os clientes, análise do público alvo e dos produtos a serem oferecidos: são esses os principais ingredientes para se tornar um empreendedor de sucesso”, enumera Jussier. O jornaleiro enfatiza também que os pequenos empreendedores devem aprender que apurado não é lucro. “Um comércio, seja ele qual for, só se paga depois do terceiro mês e a partir de então, é que se começa a gerar um pequeno lucro para depois ir crescendo paulatinamente”, ensina.
Com um atendimento diferenciado, funcionários de gravata e avental, ar-condicionado e muitas atividades filantrópicas, a Banca Prática começou a despertar o interesse de jornais e emissoras de televisão de todo o estado.
Em 2007, com 11 anos de banca, o jornaleiro foi chamado por dois professores da Universidade Potiguar (UnP) para dar uma. O seu gosto pela leitura, seu carisma e seu interesse pela informação fizeram com que ele se destaca-se novamente, desta vez como palestrante. Todavia, para começar nessa nova atividade era preciso se especializar: “Não se pode iniciar um voo solo sem conhecimento e qualificação”, explica. “Sou um jornaleiro, mas utilizo o que há de mais novo em tecnologia mundial. Porque é isso que devemos apresentar sempre: um diferencial”, enfatiza o homem que já dividiu palco com figuras como Luciano Huck, Roberto Justus e Stephen Kanitz, articulista da revista Veja.
Mas o início da vida como palestrante não foi só de flores. Ele teve que provar sua competência com inúmeras palestras gratuitas e precisou, diversas vezes, de pagar o aluguel dos equipamentos de áudio e vídeo, para incrementar sua apresentação. A sua tacada de sorte veio com uma entrevista rápida concedida a uma repórter da Globo News, que o indagou sobre o que ele fazia para encantar as plateias. Sabendo que tinha poucos segundos para elaborar a resposta, tirou um saco de castanha de caju do bolso e deu uma à jornalista. Em seguida, perguntou o que ela achava. “Uma delícia”, respondeu a comunicadora. “Pois é assim que são minhas palestras”, disse ele. A rápida aparição na TV provocou uma entrevista posterior, dessa vez previamente marcada pela chefia de pauta da emissora. Depois foram muitas outras entrevistas e palestras. O ex-menino pobre e magricela foi substituído pelo ocupado e bem sucedido “outdoor ambulante” de diversas empresas parceiras.

“Milhares de jovens são despejados das universidades no mundo coorporativo, ou seja, no mercado de trabalho. E ao sair de uma graduação, o acadêmico fica um pouco perdido, porque ele aprendeu a ser um profissional, mas não aprendeu a se vender como um profissional”, alerta Jussier.
“A distância para chegar ao sucesso fica maior a partir do momento em que nenhum passo é dado em sua direção. Quando um metro for subtraído dos milhares de quilômetros que faltam até lá, você já deve começar a conjugar o verbo poder, ao invés de insistir no fracassar. Jussier Ramalho sabia que não podia fracassar e disse a ele mesmo: ‘Eu posso. Sou minha melhor marca e vou apostar nisso’. Deu certo. Aliás, tem dado muito certo. O que é escrito e dito por este natalense que encanta plateias, prendendo atenção de estudantes e megaempresários, é a materialização de palavras como persistência, trabalho, atenção, dedicação, elaboração, educação, ânimo, amor e fé”, afirmou o jornalista João Ricardo Correia, num texto que redigiu sobre as impressões que teve após a leitura do livro do jornaleiro-palestrante.

Lições do empreendedor:

“O mundo está pronto aí para ser reciclado a cada dia. Não é que você vá reinventar a roda. Não é isso. Há a necessidade de se reequipá-la, ou seja, redescobrir o uso de cada produto.”

“Empreendedor é isso. É o trabalhador que não se acomoda.”


“Os insucessos são bons para o aprendizado. O medo de errar é que faz com que as pessoas não tentem e não tenham sucesso.”

“Independente do tipo de pessoa que você seja, física ou jurídica, para ter um negócio de sucesso, a valorização do cliente é essencial."

"O caminho da superação é enfrentar e vencer as adversidades da vida. Quando conseguimos, saímos fortalecidos e firmes para continuarmos seguindo em frente, em busca do nosso objetivo.”

“Nunca se deve correr atrás de um sonho, porque quem corre atrás sempre chega em segundo lugar.”


“O princípio do sucesso é ensinar o que se sabe e praticar o que é ensinado.”

“Coisas simples são mais difíceis de serem ditas ou feitas”.


[Relato da repórter] Contadora de história e aprendiz


Ao ser proposta a matéria em sala de aula, muitas ideias de pauta passaram por minha cabeça, como por exemplo, ir à favela que está sendo formada nas proximidades do colégio Boa Ideia - localizado na Cidade Satélite - para demonstrar o contraste entre os prédios que estão sendo erguidos lá e a realidade daquelas pessoas. Contudo, na mesma semana os impressos natalenses resolveram noticiar esse acontecimento e para não ficar com uma matéria repetida, acabei optando por fazer essa matéria perfil do jornaleiro e empreendedor Jussier Ramalho.
Conseguido o contato, a entrevista foi marcada para a segunda-feira por volta das  8h. Ao chegar na Banca Prática, me deparei com Jussier atrás do balcão a me esperar. Ele, um jovem senhor muito simpático e brincalhão, logo me convidou para o seu “escritório” ao lado da banca. Debaixo das árvores, com o vento a bater nos cabelos, nos dirigimos para uma pequena área fora do ponto-comercial que continha um banco de praça: era esse o tal escritório ao qual o jornaleiro se referia. Todavia, os ruídos provocados pelo vento atrapalhavam um pouco na gravação da entrevista. Então, nos deslocamos novamente para dentro da banca.
Tivemos uma breve conversa antes de começar a gravar a entrevista em que ele procurou me alertar - como estudante de jornalismo que sou – o fato de que muitos acadêmicos saem das universidades e aprendem a serem profissionais, mas não aprenderam a como se vender como profissionais.
A entrevista fluiu normalmente, muitas perguntas aos quais foram todas respondidas e muitos ensinamentos de vida foram compartilhados e repassados a mim. Com certeza uma coisa que aprendi e que me chamou bastante atenção foi o fato de que: fazer diferente, fugir do comum, acaba por nos propiciar muitos bons frutos.
Entrevista realizada, hora de passar a informações para o papel. Editar; escolher o que será falado e como isso será abordado; e o que ficaria de fora: foram as preocupações que tive, fora isso, não tive nenhum grande contratempo. (Silvia Correia)

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