sábado, 11 de setembro de 2010

As suspeitas de Alice


Já fazia algum tempo que Fernando não brincava mais com sua irmã Alice. A coleção de carrinhos, quadrinhos e jogos haviam sido deixadas de lado. Apesar do garoto nem tocar mais nisso, toda vez que sua irmã – de 5 anos - pedia emprestado era a maior briga. As discussões com os pais também eram constantes. Ele parecia estar completamente surdo, vivia com os fones no ouvido e para falar com ele só aos berros. Uma vez ou outra, quando o garoto estava de bom humor – e isso era raro ultimamente – ele assistia filmes com Alice, o que deixava a menina bastante feliz.

A irmã notara que Fernando, nos últimos tempos, havia desenvolvido um novo tipo de linguagem que era utilizada por ele e pelos seus amigos virtuais que ele tanto passava o dia inteiro falando via computador. O primeiro novo amigo - de nome estranho e que ela não conhecia, só ouvia falar - era o danado do MSN. Toda vez que a mãe o chamava para jantar, o garoto dizia que daqui a pouco iria. Todavia, o “daqui a pouco” dele tinha uma duração de segundos, minutos e – muitas vezes – de horas. “Será que ele estava ficando burro e sem noção de tempo?”, pensava Alice. Contudo, apesar de toda essa mudança no comportamento de Fernando, foi o fato mais recente que realmente despertou o interesse e a preocupação da irmã. A pequena Alice havia pegado o irmão falando sozinho com uma fotografia nas mãos. Foi então, que ela colocou na cabeça: ou Fernandinho estava com alguma doença mental ou havia sido abduzido por extraterrestres. Ela precisava investigar esse caso.

E começou a indagar todo mundo de sua casa, perguntando se algum parente deles possuía sintomas parecidos, se conheciam alguém que apresentava aquele comportamento estranho. Entretanto, todos só caiam na gargalhada e passavam a mão na cabecinha dela. Alice já estava irritada com os “cafunés” e a falta de respostas para suas perguntas. Foi então, que resolveu tirar suas dúvidas com a sua professora de Português, a Tia Amanda.
Chegando na sala, a primeira coisa que fez foi ir direto falar com a professora. E lançou a pergunta:

- Eu poderia conversar com a senhora, depois da aula, sobre o meu irmão Fernando?
- Claro que sim, Alice.


Amanda havia achado graça no tom sério que a Alice havia falado com ela, mas concordou em esclarecer as “dúvidas” da garota. E a aula passou. A menina brincou muito com os coleguinhas, participou das aulas normalmente e assim que a sineta tocou, despertando todos para o término da aula, foi compartilhar com Amanda suas suspeitas. A professora escutou tudo com muita atenção, sorriu para ela e disse:
- Querida, pode ficar tranquila. O Fernando não tem nada grave, nem foi abduzido por seres de outro planeta. Ele só está passando pela fase da adolescência.

Apreensiva, Alice pergunta:
- Mas tia... Isso pega?

Um comentário:

Anônimo disse...

gosteeei \o lembrei de mim memso no inicio com fernando, eu era um pouco desse jeito :p.

Arthur rocha

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