sábado, 2 de abril de 2011

Uns trocados, um adeus e um pouco de reflexão


15 de março de 2011. Falece - vítima de câncer - o esposo de Sônia Maria Siqueira (50 anos), educadora da Creche Nossa Senhora da Esperança.

29 de março de 2011. Um enfarte inesperado acomete a educadora Sônia. Os médicos do Hospital Walfredo Gurgel (Natal/RN) decretam “falência cerebral”, como informou Cira - filha da professora. Como se não bastasse a tristeza de ter deixado o marido morrer à míngua, a depressão e o processo de definhamento tomaram conta de Sônia.

02 de abril de 2011. Morre às 10 horas do dia de hoje, a funcionária do MEIOS (Movimento Estadual de Integração e Orientação Social), Sônia Siqueira. A professora, assim como duas mil pessoas, estava sem receber seu salário desde outubro do ano passado.

Com a esperança no coração de ainda receber os atrasados – como prometera o governo do Estado - essa mãe de seis filhos e viúva, saía todos os dias de sua casa no Bairro do Bom Pastor e encaminhava-se a uma agência do Banco do Brasil para sacar o extrato de sua conta bancária. Sem sucesso. Triste ilusão.

Para Sônia, agora não importa mais se receberá seus trocados ou não. Não pôde aliviar a dor do marido, não poderá usufruir do seu direito de educadora infantil e cidadã, não poderá mais cuidar de seu filho portador de necessidades especiais. O que resta? Talvez um simples adeus e uma parcela de alívio para os filhos que herdaram a despesa do funeral do pai. Se é que irão receber esse dinheiro que custou a vida de sua mãe.

Será que nossos políticos irão esperar até mais uma pessoa morrer para resolverem pagar os salários atrasados dos funcionários do MEIOS? Será que a história de Sônia e o esfacelamento de sua família não serve para um pouco de reflexão?

(via blog da jornalista Thaisa Galvão: http://tinyurl.com/3zg6nwq)

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