terça-feira, 5 de maio de 2009

Entrevista com o comunicador

1)Em qual ramo do jornalismo o senhor trabalha?
Jornalismo impresso, como editor geral do JH Primeira Edição, matutino que circula na Grande Natal.
2)O que foi mais importante na hora de escolher a profissão?
Sempre fui apaixonado pela comunicação. Desde criança gostei de ler revistas, jornais, assistir noticiários na televisão e ouvir rádio, principalmente o AM, que trazia mais informações que músicas. Tanto que comecei como radialista, em 1992, na Rádio Nordeste, em Natal. No jornal impresso, o começo foi em 1995, no semanário Jornal de Natal, onde era repórter da área policial.
3)O que é mais interessante nessa profissão?
O mais interessante na profissão é poder ver uma situação resolvida, uma pessoa carente beneficiada, depois da matéria que você fez foi publicada. Recentemente, tivemos um exemplo disso aqui no JH Primeira Edição: uma garotinha de cinco anos, muito doente, precisava de remédios. A Justiça tinha determinado que o Estado mantivesse o tratamento, mas o Governo recorreu e a menina continuava sofrendo. Publicamos a reportagem, relatando o caso. Dois dias depois, o Governo resolveu cumprir a determinação judicial. Na mesma semana, a garotinha e sua mãe vieram à redação, agradecer. Elas não precisavam ter vindo agradecer nada. Era nossa obrigação, enquanto veículo de comunicação, mostrar aquele problema. Foi muito bom ver a alegria das duas e aquela criança, na cadeira de rodas, sorridente, porque sabia que, a partir daquele momento, seu sofrimento seria menor.
4) O que é mais difícil?
O mais difícil é saber que tem muitos canalhas, inescrupulosos, exercendo a profissão de jornalista. Alguns são diplomados, outros não. Não é a faculdade que dá caráter a ninguém. É ruim termos conhecimento de colegas de profissão que utilizam dos veículos que trabalham e até de outros, por meio de amizades, para o auto-benefício, noticiando algo que interessa tão somente a uma parcela muito pequena. Lamento muito ter que ver isso: jornalista usando uma profissão tão espetacular como mercadoria. Isso é difícil de aceitar, mas é nessa hora que os verdadeiros profissionais se sobressaem e conseguem continuar na luta de noticiar o que, realmente, é notícia.
5) Como é o seu dia a dia profissional?
Meu dia a dia é cansativo, mas muito gratificante. Acordo cedo, vejo telejornais, leio jornais, navego em sites noticiosos, enfim, minha rotina é de procurar, sempre, estar bem informado. Da informação que tenho, a partir do que busco e do que dizem as minhas fontes, depende a qualidade do jornal que publicaremos no dia seguinte. Quando o jornal sai bom, com notícias “quentes”, fico muito feliz. Quando a qualidade do material não é tão bacana, confesso que fico decepcionado, mas aí começa o novo desafio, o de fazer o jornal para o dia seguinte; aí começa tudo de novo. Não tenho tempo para “curtir” o sofrimento.
6)Ao chegar em casa, depois do expediente, o senhor consegue se desligar do trabalho?
Não. Aliás, não acredito em jornalista que adora feriado, que torce para chegar o domingo para não trabalhar, que vive torcendo para que as férias cheguem logo. Muitas vezes, chego a sonhar trabalhando. Escolhi ser jornalista, ninguém me obrigou. Amo minha profissão. Sou jornalista 24 horas por dia, de domingo a domingo. A notícia não tem hora, nem dia, para acontecer e o bom jornalista precisa estar sempre perto dessa notícia, se tem comprometimento com a maior causa da sua missão: informar.
7)Existe algum segredo para ser um bom profissional?
Dedicação, nunca achar que é o melhor, jamais menosprezar as opiniões contrárias, respeitar os personagens das notícias e sempre checar as informações recebidas, para poder publicá-las. Todo dia precisamos aprender algo novo. As situações com as quais nos deparamos são muito diversificadas. Não podemos parar no tempo.
8)O senhor acha que as revistas e jornais perderam mercado com a ascensão da internet?
Não tenho nenhum dado concreto sobre isso, como uma pesquisa, por exemplo, embora acredite que sim, perderam. No entanto, não acho que as revistas e os jornais deixarão de existir nem tão cedo. São meios de comunicação importantes, tradicionais, que fazem parte da história das principais nações e merecem respeito. Quando eu trabalhava no rádio AM, não faltava quem dissesse que as FMs dominariam o mercado em pouco tempo. Hoje, vemos belos e vitoriosos exemplos de emissoras AM Brasil afora, como as rádio Globo, CBN, Band ,que ocupam muito bem o espaço a que têm direito.
9)E o mercado de trabalho? Realmente encontra-se saturado para o profissional da área de comunicação social?
O mercado está muito competitivo, em qualquer lugar. Os bons profissionais sempre terão espaço. Como disse anteriormente, a dedicação ao que se faz é de suma importância para o sucesso. Não adianta lamentar a falta de oportunidade, se quando ela aparece você não tem competência para assumi-la.
10) Que conselho o senhor daria para um jovem que quer ingressar nesta profissão?
Primeiramente, gostaria de parabenizar pela escolha. Quem ingressa na profissão de jornalista não pode parar de estudar, ler, buscar informações. A verdade é o grande combustível para que a caminhada seja vitoriosa. O jornalista precisa ser um porta-voz da sociedade, principalmente da fatia que mais sofre. Acredito que o jornalismo deve ter o comprometimento público de transformar realidades, denunciando falcatruas, mostrando bons exemplos, alertando para a violência, mas também ouvindo especialistas que apontem soluções. Jornalismo deve ser feito com amor e honestidade. O jornalista é um ser diferente, que precisa ser um observador incansável, para poder detectar o que é notícia, o que interessa à maioria. Jornalismo deve ser feito em prol da coletividade, jamais para agradar um público restrito. Os futuros jornalistas precisam de coragem e muita força de vontade, para que possam ultrapassar os obstáculos e consigam vaga em nosso mercado.

Abaixo, o jornalista João Ricardo entrevistando Padre Fábio de Melo.

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